segunda-feira, 1 de setembro de 2014

SETEMBRO - MÊS DA BÍBLIA





As cinco vias da Palavra
Setembro é o mês da Bíblia. Sofremos um analfabetismo bíblico e precisamos criar o “século da Bíblia” e tê-la todos os dias em nossas mãos. Eis as cinco vias da Palavra.

1 - O ouvido -  Como poderemos crer sem ouvir a pregação da fé? “Ouve oh Israel”. Este é o mandamento divino. Dá-nos Senhor, ouvido de discípulo, pede o profeta Isaías. A fé entra pelo ouvido. Não podemos ser surdos ao Deus que se revela a nós como a amigos. Quem ouve minha Palavra e a põe em prática, este é o maior no reino dos céus, ensinou Jesus. Hoje se ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis o vosso coração, diz o livro de Samuel. A Palavra supõe a audição, o ouvido, do contrário, ela cai no chão.

2 - A cabeça - A Palavra exige o estudo, a teologia, o magistério e o catecismo. A fé não pode contrariar a reta razão, mas, ela vai além da razão. É preciso dar a razão de nossa fé porque a verdade e a fé são duas asas que movem o ser humano até Deus. Fé e razão se completam. O ato de fé é um ato de decisão, de opção, de adesão a Deus, a Jesus Cristo e à revelação divina. A cabeça é uma via da fé para evitar todo infantilismo, magia, engano, exploração, fanatismo e heresia no âmbito da religião. A Palavra guia nossos pensamentos e oferece critérios, valores e luzes para a razão.

3 - O coração - A Palavra ouvida desce ao coração, ou seja, é interiorizada, assimilada, vivida, experimentada. É no intimo do coração que a Palavra se faz carne em nós. Ela se torna alimento. “Toma o livro e come-o” diz a Escritura.  Há uma grande fome e sede da Palavra porque ela alimenta a fé no coração dos cristãos. A fé é resposta à Palavra e compromisso assumido no centro, no interior dos corações.

4 - As mãos - A fé sem obras é morta. A Palavra alimenta a fé. É no testemunho, na ação, mas principalmente nos gestos de amor a Deus e ao próximo, que se manifesta nossa fé. Nossas mãos se abrem à generosidade, à solidariedade, à prática do amor pessoal e social, graças à fé. Uma fé autêntica é compromisso com a vida, a transformação, a promoção humana. Daí se entende os famosos binômios: fé e vida, oração e ação, mística e política, contemplação e transformação. A Palavra abre nossas mãos para a construção do reino, para as boas obras e o amor transformador.

5 - Os pés - A Palavra é o combustível, o motor, a energia da missão. Quem tem fé não é acomodado, mas, missionário, caminhante, evangelizador. Fé com  pé na estrada, pé a caminho, pé nas ruas, nas portas das casas, nas periferias e nas mansões. A fé leva ao lava-pés e a andar a pé para facilitar o encontro. De pessoa a pessoa, de casa em casa, de grupo em grupo, de nação a nação, a fé nos coloca em movimento, em ousadia missionária. Os caminhos da fé levam ao encontro com o diferente, o afastado, até o além fronteiras. A fé nos dá pés velozes que correm até os confins da terra, que nos levam ao povo. Com os pés iluminados pela Palavra caminhamos pressurosos para a casa do Pai. Pés evangelizadores que mesmo feridos e machucados nos deixam sempre de pé especialmente ao pé da cruz.  

Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina
Publicado na Folha de Londrina, 11 de setembro de 2010

Ir. Zuleides M. de Andrade, ASCJ
Comunicação para a Pastoral
www.apostolas-pr.org.br


    

Pensamentos Bíblicos

1-A Palavra de Deus não pode cair no chão, mas nos corações através do ouvido. A Palavra precisa de ouvintes e de anunciadores. Estes emprestam sua voz para que a Palavra seja ouvida e os ouvintes recorram ao silêncio para a escuta de Deus que fala e revela seu amor. (Dom Orlando Brandes)

2-O ouvinte da Palavra, faz a experiência da “encarnação da Palavra. Grande é o poder da Palavra em nosso ser, a saber: ouvido de discípulo, coração de enamorado (arde o coração), língua de profeta, mão de samaritano, pés missionários. A Palavra transforma todo o nosso ser. Ela se faz carne em nossas pessoas. (Dom Orlando Brandes)

3-A Igreja sempre venerou as Sagradas Escrituras do mesmo modo como fez com o Corpo do Senhor. Cristo vive e fala na Palavra. Quando se lêem as Escrituras, é Cristo que fala. Daí a necessidade de bons microfones, leitores preparados, boa acústica, boa comunicação. (Dom Orlando Brandes)

4-A Palavra de Deus é uma palavra amiga, verdadeira, viva, eficaz, fecundante, transformante, informativa, formativa, apelativa, recriadora, eterna, salvadora, santificadora, reveladora. Esta Palavra Santa é inesgotável, permanente como a sarça ardente. (Dom Orlando Brandes)

5-A Palavra protegida pelo “Não”. Não falsificar a Palavra, não acorrentar, não emudecer, não manipular, não silenciar, não ocultar, não ler mal, não ignorar, não prejudicar, não envelhecer, não deformar, não domesticar, não ajeitar, não ideologizar, não mudar, não dificultar o acesso à Palavra de Deus. (Dom Orlando Brandes)

6-Bíblia, carta de amor é: Livro da vida. Livro da verdade. Livro da amizade. Livro da salvação. Não é livro morto. Não é livro velho. Não é livro apenas de estudos e consulta. Não é livro de curiosidades. Não é livro de brigas religiosas. Não é livro como outros livros. (Dom Orlando Brandes)

7-A Igreja deve ouvir piamente, guardar santamente, expor fielmente a Palavra de Deus para que o mundo creia, acreditando espere e esperando ame. A Palavra ilumina as mentes, fortalece as vontades, inflama os corações no amor de Deus. (Dom Orlando Brandes)

8-Precisamos ter familiaridade com as Escrituras Sagradas, apegarmo-nos a elas, pois tudo foi escrito para nossa instrução e esperança. A Palavra é sustentáculo da Igreja, alimento da alma, solidez da fé, fonte de vida espiritual. (Dom Orlando Brandes)

9-Que a Palavra corra veloz (II Tess. 3,1), não seja acorrentada, chegue aos confins da terra e sobre os telhados. A “voz” da Palavra é a revelação. O “rosto” da Palavra é Jesus Cristo. A “casa” da Palavra é a Igreja. Os “pés” da Palavra são as missões e caminhos da missão. (Dom Orlando Brandes)

10-O cristão é convocado a ouvir a Palavra. E também: compreender. Assimilar. Renunciar. Obedecer. Anunciar. Permanecer. Reescrever. Praticar. Dar fruto. Perseverar. Fazer o que diz a Palavra. Sim, a Palavra se fez livro, mas precisa fazer-se carne em nossa carne. Pronunciamos a Palavra com nossa vivência e boas obras, com nosso testemunho.
(Dom Orlando Brandes)

11-A Palavra é tão excelsa e alta como o céu infinito, e tão profunda como o abismo insondável. Ela é pão, luz, mel, leite, ouro, martelo, espada, chuva, carta, semente, colírio. Estes são símbolos que nos ajudam descobrir o tesouro inestimável da Palavra. O lugar da Palavra é nossa mão, nosso coração e nos pés para a missão. (Dom Orlando Brandes)

12-Somos aquilo que ouvimos. O coração do verdadeiro cristão é “uma biblioteca bíblica”. Na Bíblia, a Igreja ouve as declarações de amor do Amado. Era costume em alguns mosteiros o Abade perguntar aos monges após a meditação da Palavra: “O que comeste hoje?” A Bíblia é pão, é nutrição, alimento diário. A Palavra de Deus é inesgotável, não envelhece, é como a sarça ardente que não se consome, não passará. Eis a inesgotabilidade da Palavra de Deus. Os irmãos protestantes leem a Bíblia, os católicos falam da Bíblia. Precisamos ser a Igreja escriturística. Testemunho de um bispo na aula sinodal: “Obtive Licenciatura no Instituto Bíblico de Roma, mas foram os pobres que me abriram mais ao vigor da Palavra”. (D. Emmanuel Lafont, Guiana Francesa). Os seminaristas devem abordar a Bíblia como livro da vida e não como livro de estudo. A vivência do evangelho é mais eloqüente que tantas palavras. Cada cristão deve ter a sua Bíblia.
(Dom Orlando Brandes)




Familiaridade com a Bíblia
         Verbum Domini – Palavra de Deus, é o documento do Sínodo da Palavra realizado em Roma de 5 a 26 de outubro de 2010. Recebemos este documento “Verbum Domini” em novembro de 2010. É um inestimável presente de Natal oferecido por Bento XVI.
O Papa nos convida a que nos debrucemos sobre a Palavra, façamos uma redescoberta da Bíblia, tenhamos familiaridade com a Palavra para que ela seja o coração de toda a atividade eclesial. Somos convidados a ser amigos da Palavra e a amar cada vez mais as Sagradas Escrituras. Cada fiel possa dizer: “sou amigo da Palavra”.
A fé da Igreja se renova na Palavra de Deus, daí o deixar-se plasmar pelas Escrituras que são o coração da vida cristã. A Igreja funda-se, nasce e vive da Palavra e as comunidades crescem graças à escuta, celebração e estudo da Palavra. Há que reconhecer que nas últimas décadas aumentou na Igreja a sensibilidade pela Palavra de Deus.
Como São Paulo, devemos dizer: “Faço tudo por causa do evangelho” (ICor 9,23). O Papa deseja que melhore a nossa relação com as Sagradas Escrituras na leitura orante, na liturgia, na catequese, na investigação científica. É assim que adquirimos maior familiaridade com a Palavra de Deus.
Deus fala e responde através da Palavra. Estabelece um profundo diálogo conosco, deixa-se conhecer e fala a nós como um amigo. O chão da Palavra são nossos ouvidos e nosso coração. Assim, a Escritura Sagrada deve ser proclamada, escutada, lida, acolhida, vivida profundamente.
Bento XVI faz uma clara distinção entre Palavra de Deus e Bíblia. A Palavra é mais ampla, ela vem antes do Livro e vai além do Livro. Há uma “sinfonia” da Palavra. Ela fala através da criação porque Deus tudo criou pela Palavra. Ela fala através dos Profetas. A definitiva revelação da Palavra de Deus é Jesus: “O Verbo se fez carne”. Os Apóstolos e as comunidades ensinavam a Palavra antes dela ser escrita. Só mais tarde vem o Livro, ou seja, a Bíblia, principalmente o Novo Testamento.
Veneramos extremamente as Sagradas Escrituras, mas, o cristianismo não é a “religião do Livro”, é a “Religião da Palavra”. A Igreja deve ser a “mestra da escuta” para ser discípula. A Palavra é maior que a Igreja, embora, a Sagrada Escritura seja um “livro da Igreja”, deve ser interpretado na fé da Igreja. Por isso a Igreja é “casa da Palavra”.
Pelo que vemos a Igreja não será mais a mesma depois deste documento. Chegou a “hora da Palavra” e assim seremos mais profetas, mais discípulos, mais apóstolos. Inicia-se a aurora de uma nova primavera na Igreja. Já fizemos tantos progressos em ralação à Bíblia, mas, precisamos de mais ousadia e chegar a uma “mobilização bíblica” na vida da Igreja. A Palavra tem o poder de nos reencantar, fascinar, recuperar. Todo nosso entusiasmo pela Palavra de Deus tem um objetivo: estabelecer um encontro pessoal vivo, definitivo, persuasivo com Jesus Cristo, Palavra do Pai. Podemos ver, ouvir, tocar e contemplar Jesus, o Verbo da vida. Ouvindo sua voz, ouvimos o Pai. Jesus é o alto falante do Pai. Fala o que o Pai mandou falar.
Para que aconteça uma revolução bíblica na Igreja precisamos fazer diariamente a leitura orante, frequentar os grupos bíblicos de reflexão, participar do dia da palavra, estudar mais a Bíblia, procurando viver a Palavra. É assim que vai aumentar nossa familiaridade com as Sagradas escrituras. As boas ações falam mais que as palavras. Cabe-nos permanecer na Palavra, que é pão, rocha, espada, ouro, mel, lâmpada, leite, chuva para que sejam restauradas a profecia, o discipulado e a missão na Igreja.

Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina
Folha de Londrina, 12 de fevereiro de 2011
 

 





ALGUNS CARTÕES COM TRECHOS BÍBLICOS



























A Palavra de Deus é viva


Há Bíblias em diferentes formatos e materiais: edições simples e econômicas e as impressas em material valioso; bíblias bem ilustradas e com textos breves, para crianças; encadernações adequadas aos jovens e as edições de luxo; edições com letras em tamanho grande, que facilitam a leitura; com notas explicativas, edições pastorais e ecumênicas. Muita atenção é dada à Palavra de Deus e aos seus leitores.

A Bíblia é uma coleção de textos analisados e considerados inspirados, sagrados. Os 72 livros, em diferentes estilos, registram a ação de Deus na história do povo escolhido, história que continua em nós. É o livro mais lido e mais traduzido.

            A Palavra, uma declaração de amor de Deus por nós, manifesta-se de forma mais expressiva em Jesus Cristo, o Filho muito amado do Pai, a quem devemos escutar e seguir. Deus continua criando o Mundo e conduzindo seus filhos, com o poder de sua Palavra, que é viva e eficaz. Ele, o autor primeiro da Bíblia Sagrada é presença sensível de amor.

            Nossa primeira Bíblia é cheia de sons familiares: canções de ninar, cantigas de amor, preces de família reunida, conversas ao pé do ouvido, briguinhas entre irmãos, conselhos e orientações. Deus se serve dos pais para trazer-nos ao mundo e faz da família seu primeiro local de revelação. É no aconchego de um lar, na família, que sentimos o amor e a ternura de Deus. Às vezes, borrada por lágrimas. Ao entardecer, é possível observar suas páginas amareladas pelo cansaço do trabalho; amassadas pelas angústias, decepções, doenças e perdas. Mas há um renovar de esperança que se fortifica na fé. Nossa primeira Bíblia é revelada na família. Criemos momentos para recordar, celebrar, agradecer, narrar, passar adiante e registrar a presença e a ação de Deus na família.

            A Bíblia que chegou até nós é uma coleção de livros. O Espírito Santo de Deus direcionou pessoas cheias de fé no Deus Vivo, em lugares e épocas diversas.

Origem: Fruto da inspiração divina e do esforço humano, foi surgindo à medida em que o povo recordava, contava e registrava a ação de Deus. 

Autores: De idades, profissões e culturas bem diferentes, escreviam com seu estilo pessoal, misturando inspiração com palavras humanas. Deus, porém, é o autor principal.

Linguagem: Revela a cultura das pessoas que a escreveram. Há vários estilos de textos: Tratados religiosos, História popular, História descritiva, Gênero didático, Gênero profético, Gênero apocalíptico, Gênero poético, Gênero epistolar...

Antes de ser escrita, a Palavra de Deus foi vivida, narrada e celebrada por muitas gerações. Começou a ser escrita em torno do ano 1200-1250 a.C. e concluída por volta do ano 100 d.C. Grande parte foi escrita na Palestina, onde vivia o povo hebreu. Outros textos surgiram na Babilônia, no Egito, na Grécia e na Itália. A maior parte do Antigo Testamento foi escrita em hebraico. No tempo de Jesus o povo falava em aramaico. O Novo Testamento foi escrito em grego. A Bíblia foi escrita à mão em: cerâmica, papiro e pergaminho.

A mensagem central da Bíblia é Deus como presença libertadora. Pode ser resumida na palavra Aliança. É necessário invocar o Espírito Santo, para descobrir o sentido que a sua Palavra tem para nós, hoje. Ler a Bíblia é ouvir Deus que nos fala. Exige atenção, respeito e escuta atenta.

            A Bíblia, sempre atual, pode ser lida e sentida por crianças e não letrados, pois é apresentada em cores, sabores, odores, texturas... e tem nova edição a cada dia - a Natureza! 

Sua exuberância e a majestade do Universo confirmam que Deus se revela no firmamento pontilhado de estrelas, no esplendor do amanhecer, na brisa e na tormenta, na vida que desabrocha e nas experiências humanas. A Palavra de Deus é viva, eficaz e não se reduz ao livro impresso.  



Domingo: das 21h às 22h -  “Conversas do Coração”
Rádio Evangelizar AM 1060 / FM 90.9!

Também, via Internet: www.padrereginaldomanzotti.org.br



Zuleides Andrade, ASCJ


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